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Archive for the ‘Sociedade’ Category

É 8 a 1

E em mais uma decisão teratológica, o Supremo Tribunal Federal, órgão de cúpula do Judiciário, guardião da Constituição e responsável, em última instância, em dizer o “direito”, entendeu que a profissão de jornalista independe de diploma, haja vista tratar-se de mera atividade intelectual. O presidente do órgão, Gilmar Mendes, chega a comparar um jornalista a um chefe de cozinha que, sem desmerecer a profissão deste último, em nada se assemelha aos profissionais do que já foi intitulado de 4º Poder.

Provavelmente, na cabeça desses “preclaros” ministros, para ser jornalista é desnecessária uma faculdade, ter conhecimento técnico, na verdade, os que atualmente ocupam uma cadeira universitária devem estar brincando de fazer jornalismo, já que um curso superior tornou-se supérfluo tendo em vista que, para ser jornalista, basta pensar, logo, até uma criança, que dispõe de intelecto, pode ser jornalista, assim, brevemente, veremos profissionais competentes que aprenderam sua profissão na teoria e na prática, serem substituídos por técnicos e pessoas despreparadas que não tem a mínima capacidade de elaborar um texto jornalístico, se posicionar diante de uma câmera ou fazer uma locução em uma rádio.

Não sou jornalista, mas entendo a necessidade de uma formação adequada para qualquer tipo de atividade que se pretenda desenvolver, logo, tal decisão é apenas uma forma de pressionar os profissionais e de arrochar salários.

Decepciona-me e me causa vergonha que aqueles que deveriam ter a imparcialidade e o discernimento para não se deixar levar pela manobra daqueles que temem uma impressa séria e comprometida com a verdade tenham decidido dessa forma. Parafraseando um anônimo que comentou acerca do tema no site do Estado de São Paulo: “Seguindo a mesma premissa observada por nosso Egrégio Supremo Tribunal Federal, sou advogado e sinto-me ameaçado, pois o mesmo direito constitucionalmente garantido à informação e à liberdade de expressão é previsto, também, ao acesso à justiça e ao direito à ampla defesa. OS SENHORES NÃO ACHAM QUE TAL DECISÃO ABRE UM PRECEDENTE PERIGOSO ?”. É a justiça referendando a falta de qualificação.

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Desgraça pouca…

Ismael Evelson Ratzkob, o aproveitador

Ismael Evelson Ratzkob, o aproveitador

E as vítimas das enchentes sofrem mais um revés. Ano passado os desabrigados de Santa Catarina sensibilizaram o Brasil inteiro que prontamente doou roupas e gêneros alimentícios. Esta semana foi preso um empresário daquele estado que, em conchavo com funcionários da prefeitura de Ilhota, um dos municípios atingidos pelas chuvas, havia recebido parte das doações e estava vendendo roupas, sapatos, colchões (e até alimentos) em um brechó a R$ 1,00 cada peça. Segundo ele, recebeu esses itens como “doação” e, portanto, poderia fazer o que bem quisesse com os mesmos, além do que se tratavam de sobras de donativos que a prefeitura não teria onde colocar. Contudo as “sobras”, só de roupas,  correspondiam a mais de 400 mil peças.

Por terem sido doadas à administração pública, só através de processos licitatórios esses bens ficariam livres para serem doados a particulares, além do que são, em sua maioria, produtos não perecíveis que, bem acondicionados, poderiam ser destinados a várias famílias carentes em crises futuras.

Apesar dos apelos da Cruz Vermelha convocando a população para que não pare de doar, sobretudo às vitimas do Maranhão, é impossível não ficar desconfiado com o destino de nossos donativos após essa denúncia. Uma situação tão revoltante na qual determinadas pessoas se valem das boas intenções de quem doa  e da desgraça alheia para proveito próprio!

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Riquelme-Aranha

Riquelme-Aranha

Eles podem voar, escalar paredes, observar através de objetos, tem supervelocidade, agilidade e força superiores aos dos seres humanos comuns. Podem ter adquirido esses poderes, nascido com eles e , às vezes, nem possuí-los. São homens, deuses, monstros cada um com suas peculiaridades. Os super-heróis permeiam o imaginário popular e são os arquétipos do bem, da doação e humildade.

No cotidiano são cidadãos normais, com problemas triviais, tentando conseguir um bom emprego, pagar o aluguel do mês, manter uma vida conjugal e ainda arranjar tempo pra salvar o mundo. São reflexos da dualidade humana, do fazer o bem sem importar a quem, da necessidade de fazer o milagre e esconder (atrás de uma máscara) o nome do santo, são o médico e o monstro escondidos em cada um de nós. Refletem a esperança de que, apesar de todas as vicissitudes, o bem triunfará (ainda que isso, de fato, nem sempre aconteça e a perspectiva do que é bom e justo varie de acordo com o ponto de vista do observador).

Na vida real inspiram as pessoas a fazer o que é certo. Exemplo disso é Riquelme, morador de Palmeira (SC) que, em 2007 (na ocasião com 5 anos), salvou um bebê de um incêndio. Fã confesso do homem-aranha (inclusive declarando ser filho dele ao Jornal Nacional) e vestindo um uniforme do ídolo, acalmou a mãe da criança, enfrentou o perigo e, colocando em risco a própria vida, salvou o nenê. Atitude totalmente reprovável do ponto de vista lógico e prático (mas justificável, haja vista a inocência da pessoa em questão), contudo é louvável e emocionante saber que um personagem fictício serviu de inspiração a um feito heróico e que alguém fizesse o bem a outro. Afinal, como diria o Tio Ben Parker: “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”.

Existem alguns heróis entre nós e não nos damos conta disso. Aquele que estende a mão amiga na necessidade de alguém, aquele que diz uma palavra de consolo no momento da dor, aquele que protege e cuida sem nada querer em troca ou, mesmo, aquele que ajuda o ceguinho a atravessar rua, todos, de alguma forma são heróis nesse momento e não se dão conta disso, cada um se escondendo atrás de suas máscaras.

Os problemas e obstáculos são muitos e , infelizmente,  não podemos contar com a ajuda de seres superpoderosos, mas convenhamos, no mundo em que vivemos, permeado de tanta violência e opressão, a existência de paladinos da justiça seria bem conveniente, já que raramente aqueles que são imbuídos pelos poderes constituídos para proteger e servir a comunidade agem como verdadeiros heróis.

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Saudade.

Saudade.

Arrogante, prepotente, petulante, chata. Assuste-se com a pergunta, inveja não é bom ou mal, é humano. Mas, depois de passado o susto não tente procurar os motivos de eu não ser tão esperta, pergunte-se porque você se assusta e assim tente ficar tanto ou mais esperta que eu, na medida do possível.

Não, não é auto-ajuda. É auto-desajuda, vai doer um tanto e, às vezes, só restará, aparentemente, decidir que eu não sou tão esperta, o que, claro, não diminui a minha esperteza, mas sim, a sua.

Vá pelos caminhos naturais, procure o niilismo, assuma que você conhece a História Social: ser humilde é bom. Não é. Passividade, aceitação da moral alheia, bem-comum, pura prisão. Sou tão esperto, Nietzsche, Camus, Sartre, Dostoiévski, entre tantos que assumiram. Ser só mais um é o fim e um começo.

Deus não deixa? Fugir da realidade criando uma fantasmagórica, é a decisão fácil. Uma decisão tomada por outros, mais fácil ainda. Por si só? Não acredite em si, simples. A condenação é tácita e não há saída, só entradas e vida.  É preciso destemor para desfazer-se de hábitos, abandonar comodidades, renunciar à segurança, morrer.

A questão não é eu ser um totem, só sou esperta e você não. Sofra com isso. Não trago a boa nova, nem a novidade, tudo já existe desde antes. Tanto que é possível que você concorde com quase tudo, até com minha esperteza. Ego inflado, auto-estima, carência, atenção, chame do que quiser ou puder. Você se acha tão esperto pra afirmar que eu não sou tão esperto? Pra isso não precisa de alguma esperteza. Ataque.

Tão esperto que não vai negar ou confirmar, vai ficar indiferente. Medíocre. Vai confirmar, sim, você é tão esperta, tanto que tenho pena e falo o que não acredito.

Não fique ressentido, vamos dançar!

[Colaboração: Katrina Vajsleska]

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Não, ainda não houve anúncio de aumento nas passagens dos coletivos em São Luís. Porém deve-se notar que entre greves, processos judiciais e paralisações outras, não sabemos o que é um reajuste do serviço de transporte público há sete anos. Mérito dos políticos bonzinhos do Maranhão? Ou obrigação deles de fato? A realidade é que esses sete anos não foram de tranquilidade no esforço da prefeitura em manter as passagens no seu preço atual. Dentre propostas de investimento no sistema de bilhetagem eletronica para coibir fraudes e redução de alguns impostos, as empresas têm segurado, em certo ponto a contragosto, o pretendido aumento. De certa forma, a situação foi lucrativa para ambas as partes, afinal as empresas receberam incentivo fiscal e a prefeitura segurou um “levante popular” nas palavras do procurador geral do município da gestão anterior.

Foi noticiado recentemente que há uma luta que tem se arrastado, e permanece sem definição, entre os funcionários e as próprias empresas de transporte público. Além do velho pedido de reajuste salarial e de ticket alimentação, eles querem ampliação do plano de saúde a seus dependentes. As empresas, por outro lado, querem que metade do plano de saúde seja pago pelos empregados, e obviamente fogem do reajuste salarial de seus empregados. O procurador regional do trabalho elaborou uma proposta de reajuste salarial e de tickets alimentação em 6% e a manutenção do pagamento integral dos planos de saúde pelas empresasa seus funcionários. A proposta parece ter sido bem recebida pelas partes, que ainda discutirão possíveis aplicações e alterações do proposto, antes de irem à próxima audiência que está marcada para a próxima segunda na Procuradoria Regional do Trabalho.

Na declaração dada pelo presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET) de São Luís, José Luís Medeiros, ao portal imirante, surgiu aquela velha questão empresarial: evitar greve e “discutir como vão fazer para garantir o pagamento”.

Nestes novos tempos de prefeitura, com tão pouco tempo ainda de mandato do nosso novo prefeito, não se sabe direito o que se esperar em termos de esforços para conter o levant… ops! o aumento das passagens. O jogo parece ter sido este durantes os sete anos: funcionários fazem greve, empresas dizem que não têm como pagar, prefeitura segura como pode. Mas a pergunta que não quer calar: as passagens desta vez vão aumentar?

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O assunto é mais sério do que querem os leigos e os próprios homossexuais. Não se pode mais encerrar em quartos escondidos ou esquinas desertas, nem entre as amizades mais íntimas, os tempos são outros – tempos que exigem tomadas de atitudes.

Algumas décadas atrás nem se podia falar em legitimização dos direitos dos homossexuais – posto que o legítimo era a ridicularização.  Hoje, se faz urgente. O Brasil é reconhecido mundialmente por ser um dos países que mais possui homossexuais discrimina homossexuais, e isso se deve em muito à completa ausência de leis que velem pelos direitos desta minoria. Tramita em Brasília um projeto de lei que tornaria crime a discriminação a homossexuais, o PCL 122/06 – lei obviamente necessária para diminuir a intolerância.   O triste? O empenho de líderes e políticos cristãos em barrar a  aprovação da lei.

Quando nos voltamos para o passado e pensamos a Escravidão ou mesmo a exclusão da mulher em vários fatores da vida social a idéia que se tem é de algo irracional, inexplicável, medieval. Não é nem um pouco leviano, pois, acreditar que daqui a algumas décadas o tratamento hoje dispensado a esta minoria também seja visto como grotesco, animalesco. Ou você acha natural que casais gays sejam expulsos de locais públicos, por exemplo, apenas por demonstrarem simplesmente…  ser um casal gay?

Não tem nada a ver com “Brokeback Mountain”, “Milk”, “Kate Perry” ou “The L Word”, não é questão de moda, temporária, como muitos imaginam. Na verdade, é o inverso.  Se se faz tão presente na grande mídia, é porque já está mais que inflamado na vida das pessoas. Olhe ao seu redor, quantos gays, bissexuais, transsexuais você conhece? E todas estas pessoas, que direitos têm? Quais são as suas garantias?

Se for para dar um palpite, eu diria que não importa se você ainda tem preconceito, se você ainda rejeita a idéia. A sexualidade humana vem mudando e a tendência é que só se modifique. Fins reprodutivos? Moral Cristã? Alguém ainda pensa nisso quando se refere ao sexo? Sim, sim, alguns sim. Mas estes serão deixados pelo caminho, esmagados pela enorme avalanche que é nada mais que o tempo, que a História, que a natural evolução humana.


Quem viver, verá.

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o valor da esperança

maddie

Há cerca de dois anos, jornais de todo o mundo noticiavam com demasiada freqüência o caso mais midiático de um seqüestro infantil visto até hoje. Madeleine McCann, 3, inglesa, desapareceu em um resort português quando seus pais lá estavam em férias. Eles alegam ter saído para um jantar e, ao voltar para seus aposentos, por volta das 22h, perceberam que Maddie havia sumido. Neste mesmo local estavam também seus dois irmãos (gêmeos), Sean e Amelie, a quem nada aconteceu.

Além da intensa repercussão, intensos também foram os valores monetários ligados ao sumiço. No mesmo mês do desaparecimento da garota, somente em doações do público em geral foram arrecadados cerca de 2.5 milhões de libras (R$ 12mi, em valores atuais). Tal quantia foi parcialmente destinada a um fundo de recompensas, para aqueles que dispuserem de informações corretas relacionadas ao paradeiro de Madeleine.

Eu disse parcialmente. Desde então, os pais da jovem britânica, Gerry e Katie, deixaram os seus empregos e dizem viver, em dedicação exclusiva, para [re]encontrar sua filha. Viagens internacionais, compra de espaço de veiculação na mídia e articulação com líderes políticos mundiais tornaram-se freqüentes. Tudo isto, mesmo depois de o casal ter sido indiciado como principal suspeito do crime, de ter sido achado sangue no quarto onde a garota dormia e das investigações terem sido oficialmente encerradas pela Polícia portuguesa (que alegava falta de indícios/provas).

Não fosse suficiente toda a quantia angariada em doações, os pais de Madeleine conseguiram ainda receber uma indenização de 550 mil libras (R$ 2 mi), originária de processo contra um grupo de jornais que havia divulgado informações relativas ao possível (provável?) envolvimento deles no crime. Também se mobilizaram na campanha (leia-se mexeram em seu bolso) astros da música, esportistas de renome e até mesmo o Papa Bento XVI.

Vale também citar que a história da pequena vem sendo negociada com estúdios de cinema e, muito provavelmente, todos nós poderemos ver o drama nas grandes telas. Contribuindo, claro, para arrecadar uma maior quantia aos tão necessitados pais. Caso não possuamos essa disponibilidade de tempo, as chances de sermos bons cidadãos não acabaram. Em um rápido acesso ao site oficial da campanha, percebe-se que é fácil adquirir camisetas ou pulseiras da Maddiemania na loja virtual.

Histórias como estas me dão cada vez mais orgulho de ver o que é ser humano. Capitalista.

E depois dizem que o amor não tem preço…

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