Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Conselhos, bons e piores’ Category

Saudade.

Saudade.

Arrogante, prepotente, petulante, chata. Assuste-se com a pergunta, inveja não é bom ou mal, é humano. Mas, depois de passado o susto não tente procurar os motivos de eu não ser tão esperta, pergunte-se porque você se assusta e assim tente ficar tanto ou mais esperta que eu, na medida do possível.

Não, não é auto-ajuda. É auto-desajuda, vai doer um tanto e, às vezes, só restará, aparentemente, decidir que eu não sou tão esperta, o que, claro, não diminui a minha esperteza, mas sim, a sua.

Vá pelos caminhos naturais, procure o niilismo, assuma que você conhece a História Social: ser humilde é bom. Não é. Passividade, aceitação da moral alheia, bem-comum, pura prisão. Sou tão esperto, Nietzsche, Camus, Sartre, Dostoiévski, entre tantos que assumiram. Ser só mais um é o fim e um começo.

Deus não deixa? Fugir da realidade criando uma fantasmagórica, é a decisão fácil. Uma decisão tomada por outros, mais fácil ainda. Por si só? Não acredite em si, simples. A condenação é tácita e não há saída, só entradas e vida.  É preciso destemor para desfazer-se de hábitos, abandonar comodidades, renunciar à segurança, morrer.

A questão não é eu ser um totem, só sou esperta e você não. Sofra com isso. Não trago a boa nova, nem a novidade, tudo já existe desde antes. Tanto que é possível que você concorde com quase tudo, até com minha esperteza. Ego inflado, auto-estima, carência, atenção, chame do que quiser ou puder. Você se acha tão esperto pra afirmar que eu não sou tão esperto? Pra isso não precisa de alguma esperteza. Ataque.

Tão esperto que não vai negar ou confirmar, vai ficar indiferente. Medíocre. Vai confirmar, sim, você é tão esperta, tanto que tenho pena e falo o que não acredito.

Não fique ressentido, vamos dançar!

[Colaboração: Katrina Vajsleska]

Read Full Post »

grecin

Algumas vezes observamos indivíduos que parecem não querer assumir que ‘a geração que jurou ser jovem pra sempre chegou lá’. Sim, aquele seu vizinho chato que já rompeu a casa dos quarenta e todo sábado de manhã vai lavar seu carro numa espécie de ritual sagrado, com aquela música “dixcolada” nas alturas, seu óculos estilo surfista e aquela bermudinha sexy.

Alguns podem criticar afirmando que se trata apenas de um estilo de vida, e que é bom manter o espírito jovem, e que é justificável, etc. Mas a questão é que este fenômeno é manifestação de algo preocupante que tem acontecido com maior frequência, e especialmente em países desenvolvidos: os kidults (adultescência, no Brasil).

A necessidade cada vez mais crescente de qualificação na concorrência por um bom emprego, a “modernização” do trabalho, preconizada por teorias organizacionais e inevitável pela evolução tecnológica, que abrem possibilidades de diferentes estilos de vida e maior autonomia para os empregados, a descoberta de um mercado consumidor nostálgico pelos veículos de comunicação e pelas grandes indústrias, e, claro, os avanços da medicina que aumentaram muito a longevidade, talvez sejam os fatores que mais aparecem como possibilidade de causa. Mas claro que existem outros como, por exemplo, o movimento feminista e a revolução sexual.

Enfim, a questão não é dizer que o indivíduo não possa ter um estilo jovem, mas sim compreender que talvez este estilo diga além de uma vestimenta (ou ausência dela), consequentemente trazendo prejuízos sociais, tanto pro indivíduo quanto pra sociedade. Esta pessoa que não consegue sair da casa dos pais, que às vezes tem filho precocemente, que torra dinheiro e se obceca com academia e produtos de beleza, que se endivida, que não consegue ter uma relação afetiva estável, etc., não adquiriu responsabilidade e autonomia na sua vida.

Como serão seus filhos? Pesquisas realizadas aqui no Brasil e divulgadas em revistas de grande circulação apontam que há casos em que os papéis se invertem dentro de casa e o filho passa a ser o “careta” da história. Absurdo! Uma pessoa com 15 anos tendo que lidar com responsabilidades de uma de 30? Será que isso não traz nenhuma consequência para o desenvolvimento psicosocial dela? E nos casos onde não há esta inversão, o que acontece? Provavelmente a mera transmissão deste modelo.

‘A geração que jurou ser jovem pra sempre’ tem que tomar cuidado pra não ser irresponsável pra sempre.

Read Full Post »

maria_emoAh, o SBT e suas divindades mexicanas… Elas realmente nos faziam sonhar. Aliás, a nós e a uma série de outros tantos desocupados, fãs de um melodrama que só parecia ser menor que aquele que vivíamos. Quem já não conhecia a Thalia e sabia de tudo que iria acontecer até o último capítulo da novela? Um claro exemplo fórmula fixa: pobreza, humilhação, casamento e felicidade. Felicidade, aliás, que só durava até a próxima novela começar… E dá-lhe repetição!

Mas saber o que acontecia dava uma espécie de alívio. Promovia uma torcida pela “força do bem” que só essa experimentação da onisciência poderia promover. Éramos próximos de deuses. Deuses gregos, é verdade – com suas qualidades e defeitos. Um alerta que nos foi dado por Paola e Paulina. A história das gêmeas era a mesma de todas as “Marias” – exceto por ter o elemento “irmã boa e irmã má”. Elas eram, em verdade, parte do que é cada um de nós; e da oscilação entre vítimas e protagonistas que sempre adoramos fazer.

Quem também não lembra que Os ricos também choram, que A Vida é um Jogo, que A Alma não tem Cor e o que é estar No Limite da Paixão? Claro. É simples recordar daquilo com o qual nos reconhecemos. Por que eu lembraria da novela global onde o pobre vive numa casa melhor que eu? Afinal, novela tem que ser a cópia da vida real: repetitiva. E a vida, como a gente aprendeu, existe pro sofrimento. A miséria é a condição do ser humano. E lágrimas são o derreter do gelo da alma… Calma! Não se desesperem. Orem. E com muita fé! A virgenzinha de Guadalupe tudo pode resolver. Ou você seria mais um Rebelde?

Read Full Post »