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Archive for Abril, 2010

O Brasil não é Pandora

A recente democracia brasileira vem, ao longo dos últimos 25 anos, evoluindo a passos curtos. Da eleição direta à informatização do sistema, o respaldo do nosso processo eleitoral é ascendente. Não tão sincrônica, todavia, é a consciência política do eleitorado nacional.

Um dos principais erros, ainda inconseqüentes e previsíveis, é a messianização à qual os candidatos ao Palácio do Planalto são submetidos. Não todos, é claro… somente aqueles que, de uma maneira geral, “transpiram mudança”. E com isso, Marina Silva (PV – AC), tem sofrido bastante.

As principais críticas à senadora acreana vêm daqueles que nela enxergavam “a grande oportunidade”. Dizem que a candidata, já de antemão, abandonou o legado verde que defende há décadas, tornando-se apenas “mais uma” no meio da multidão.

O que os críticos não percebem é que o erro não são os candidatos, mas a forma com que nos acostumamos a enxergá-los. Ao acusar Marina de renegar o seu legado, eles esquecem que todo diálogo é circunstancial, se enquadra a determinado intervalo de tempo. Muda-se a época, transforma-se o sentido. Não se trata de esquecer o que disse, mas de entender outra realidade.

Em recente entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a ex-ministra do Meio Ambiente, declarou que manterá em funcionamento a tríade da política econômica brasileira – soberania do Banco Central, metas de inflação e superávit da balança comercial, motivo pelo qual os ataques à candidata se intensificaram. Ora, se ao longo de duas décadas foram estas as medidas que mostraram resultados positivos, por que radicalizar?

O desenvolvimento e a estabilidade representam, sim, grandes conquistas para o país. Seria, nesse momento, responsável, pôr em risco o papel do Brasil na agenda internacional? É infundado condenar a continuidade de uma política econômica que tem dado certo. Esta manteneção demonstra, inclusive, maturidade democrática. Deixa-se de lado uma política de Governo para dar continuidade a uma política de Estado.

É exagerado dizer que o desenvolvimento do país será “travado”, caso Marina seja eleita e reproduza tais medidas. Não se pode resolver uma crise – sócio-ambiental – criando uma outra – econômica. Não se pode, sobretudo, pensar no meio-ambiente de forma insustentável – o livre crescer das árvores e o bradar dos pássaros não move a economia. A tentativa é encontrar um equilíbrio entre progresso e preservação, ambos sob uma ótica não-predatória; o que, muito além de uma “alternativa”, deveria ser uma postura.

Se há de existir um rompimento com o estabelecido, isto deve ser feito de maneira cautelosa e não-imediatista. E o povo brasileiro, que não vive na terra de Avatar, tem de ter cuidado com isso.

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