Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Junho, 2009

É 8 a 1

E em mais uma decisão teratológica, o Supremo Tribunal Federal, órgão de cúpula do Judiciário, guardião da Constituição e responsável, em última instância, em dizer o “direito”, entendeu que a profissão de jornalista independe de diploma, haja vista tratar-se de mera atividade intelectual. O presidente do órgão, Gilmar Mendes, chega a comparar um jornalista a um chefe de cozinha que, sem desmerecer a profissão deste último, em nada se assemelha aos profissionais do que já foi intitulado de 4º Poder.

Provavelmente, na cabeça desses “preclaros” ministros, para ser jornalista é desnecessária uma faculdade, ter conhecimento técnico, na verdade, os que atualmente ocupam uma cadeira universitária devem estar brincando de fazer jornalismo, já que um curso superior tornou-se supérfluo tendo em vista que, para ser jornalista, basta pensar, logo, até uma criança, que dispõe de intelecto, pode ser jornalista, assim, brevemente, veremos profissionais competentes que aprenderam sua profissão na teoria e na prática, serem substituídos por técnicos e pessoas despreparadas que não tem a mínima capacidade de elaborar um texto jornalístico, se posicionar diante de uma câmera ou fazer uma locução em uma rádio.

Não sou jornalista, mas entendo a necessidade de uma formação adequada para qualquer tipo de atividade que se pretenda desenvolver, logo, tal decisão é apenas uma forma de pressionar os profissionais e de arrochar salários.

Decepciona-me e me causa vergonha que aqueles que deveriam ter a imparcialidade e o discernimento para não se deixar levar pela manobra daqueles que temem uma impressa séria e comprometida com a verdade tenham decidido dessa forma. Parafraseando um anônimo que comentou acerca do tema no site do Estado de São Paulo: “Seguindo a mesma premissa observada por nosso Egrégio Supremo Tribunal Federal, sou advogado e sinto-me ameaçado, pois o mesmo direito constitucionalmente garantido à informação e à liberdade de expressão é previsto, também, ao acesso à justiça e ao direito à ampla defesa. OS SENHORES NÃO ACHAM QUE TAL DECISÃO ABRE UM PRECEDENTE PERIGOSO ?”. É a justiça referendando a falta de qualificação.

Read Full Post »

hitler_1933_b_jacobsRecentemente, o romancista Nicholson Baker publicou mais um de seus tratados against the violence. Dessa vez veio sob a forma do livro Human Smoke: TheBeginnings of World War II, The End of Civilization, que retrata uma parte da história escondida pelos historiadores.

Human smoke traz à tona um assunto já esquecido fora da estratosfera dos vestibulandos. A história apresenta como protagonistas grandes líderes e pacifistas mundiais: Roosevelt, Churchill, Hitler e Gandhi entre eles. De acordo com o autor, o livro foi feito a partir de um conjunto de fatos colecionados em diários, jornais e revistas entre 1920 e 1942.

A inocência dos líderes retratados no romance é posta em xeque. Segundo Baker, a 2ªG.M. é uma guerra na qual os mocinhos produziram Dresden, Hiroshima e Nagasaki; uma guerra na qual os aliados poderiam ter efetivamente impedido o Holocausto, mas não o fizeram para não distrair dos esforços táticos que a estratégia exigia.

No livro, Roosevelt se recusa a receber os judeus nos EUA e Churchill, mostrando sua mais negra face antisemita, nega alimentos a uma Europa faminta, porque os alemães podem usá-lo como armas – ‘o material plástico utilizado nos aviões deles é derivado do leite.’-, e ainda mantém um discurso retórico como enfeite de assassinatos em massa – ‘Não conversaremos, não faremos tréguas com a gangue que leva suas intenções do mal; eles farão o seu pior e, nós, o nosso melhor.’

Também no contexto em que Hitler tem sua culpa amenizada, o premiê britânico na época impôs aos alemães um embargo que os impedia de enviar os judeus a Madagascar. Sim, era esse o plano inicial do chanceler alemão.

Para por aí. Nada disso faz de Hitler inocente. Baker é pacifista, não neonazista. O espírito de Gandhi permeia todas as páginas de Human Smoke. Página após página ele repete a mensagem de que violência – até mesmo ‘boa’ violência – sempre distorce as intenções iniciais, aumenta o sofrimento, faz circular o mal. Nas anedotas relatadas por Baker, até os políticos mais admirados se mostram hipócritas da pior qualidade que todo argumento usam em nome da guerra.

Read Full Post »