
Neville D'Almeida: "Eu sou cult e gosto de novelas"
“O cinema que triunfou no Brasil é careta, não mostra nada, é um Cinema “Mauricinho”, que só se preocupa em agradar o público e tentar adivinhar o seu gosto. Esta é uma pretensão ridícula. São filmes bonitinhos, mas que não dizem nada, não mostram nada. E são totalmente feitos com o dinheiro do contribuinte, ninguém mais coloca a mão no bolso! Além disso, os cineastas que conseguem filmar são sempre os mesmos, um grupo de bem nascidos. Vivemos nas trevas da hipocrisia! Eu acho que hoje as novelas da televisão estão melhores que os filmes brasileiros!”, disse Neville D’Almeida, depois da exibição de seu filme, “A dama do Lotação” – uma adaptação da obra de Nelson Rodrigues para o cinema, nesta terça feira, na Caixa Cultural do Rio de janeiro, por parte do ciclo “O Erotismo no Cinema Brasileiro”.
Neville disse tudo, ou quase tudo. No que diz respeito ao cinema nacional, ele está certíssimo. O “Cinema Novinho” desses útimos anos é uma lástima. É bem certo que as produções cinematográficas dos anos 70 estiveram repletas de erotismo justificável, até. Era uma forma de expor e criticar certos preceitos da sociedade que não passavam de pura hipocrisia. De certa forma, as produções brasileiras tinham um caráter funcional. Diferente de hoje, quando o grande sucesso nacional é ver o Tony Ramos em uma sessão de depilação. “Se eu fosse você 1 e 2″ são os exempos maiores da “mauricite aguda” que atacou o cinema tupiniquim. Maria Lucia Dahl, que atuou em alguns filmes eróticos, justifica essa mudança na falta de algo novo para os filmes mostrarem, pois o mundo mudou e as relações são mais transparentes.

Degradação cinematográfica: Tony Ramos se depila em "Se eu fosse você 2".
Pois bem, falta do que falar é que não é. Problemas e opacidade nas relações da sociedade estão aos montes. A eroticidade do cinema verde-amarelo, como arma de crítica, nunca foi ultrapassada. O pensamento da maioria dos consumidores da sétima arte é a de que filme nacional só tem sexo e palavrão; por isso não presta, enquanto o que é bom é o filme americano, naquela formula bem “feijão com arroz”, feito só pra vender; sem sentido social algum.
Exatamente por conta desse tipo de pensamento as produções, não só do Brasil, mas do mundo, se deteriorizaram. Fruto de quem? Dos moldes da sociedade de consumo. Perde-se a qualidade intelectual e ganha-se monetariamente, o que é bem melhor, ou não.
Com relação ao pensamento de Neville sobre as novelas, também são encontrados alguns erros. São poucas, ou talvez só uma (Caminho das Indias), que exercem crítica social. Porém, ao passo de apresentar um ponto superficial de reflexão, atuam descaradamente como meios de uma ”bitolarização” da massa. Reparem o quanto as pessoas tem falado as mesmas expressões da língua indiana que são reproduzidas na novela; como as mulheres usam os mesmos penteados e maquiagem das atrizes e até características desprezíveis do trato conjugal passaram a ser admiradas.
Enfim, fora esse assunto mais que batido da mercantilização das produções culturais, do poder narcotizante das novelas e do cinema sob a moldura americana e, se ainda existe algum problema social que possa ser tratado com eroticidade no cinema, sempre vai ser um prazer ver a Sonia Braga nua, semi-nua ou falando sobre sexo, no auge de sua forma física.
Excelente texto sobre os filmes brasileiros,deveriam voltar ao padrões passados,pra ver se ganhavam mais respeito da crítica.
Absolutamente. De fato eu não sou uma amante do cinema brasileiro, mas recentemente vi filmes interessantes, com piadas inteligentes até… diretores esforçados… Não defendo essa classe de ‘mauricinhos’ e tampouco discordo dessa opinião, o que eu quero dizer é que não se pode generalizar, até por que nem todos os filmes lançados na década de 70 são geniais só por que criticavam a massa fútil, leiga e/ou opressora… Enfim *recentemente vi o remake de O cheiro do ralo e Divã.
Claramente… Nunca devemos generalizar, mas o Neville esta certíssimo quando diz que o cinema que triunfou no brasil é uma cópia da cinematográfia comercial americana.
É cada vez mais dificil de se achar um filme nacional que te leve a reflexão, mas sempre existem exceções.
em meio a essa leitura o q vemos é que o cinema brasileiro virou um indrustria cultural
que supri as necesidades de uma maioria da sociedade que é alienada
o que nos resta esperar o bom senso desses cineastas em devolver para o cinema o seu valo de arte e cultura.
O Cinema, no mundo todo, já nasceu indústria, pow. Isso não se discute. O que se pode discutir é a qualidade desse produto.
ele nao nasceu indrustria pois em decadas passada ele era uma referencia de arte
podemos dizer que com o tempo o capitalismo o corrompeu.
O cinema ja nasceu industria cultural exatamente pela sua capacidade de reprodutibilidade. Ao meu ver, o seu caráter de industria não anula a sua carcterística artística.
Ah, o cinema ja nasceu quando o capitalismo estava consolidado e de maneira nenhuma foi contrario aos moldes de tal sistema.
concordo em parte com vc mais quando o cinema nasceu o capitalista nao era monopolista finceiro como agora.
28 de dezembro de 1895, essa é a data de nascimento do cinema. Que eu saiba, o Capitalismo já era bem danoso e muito menos regulado do que foi nos anos 90 e tem sido agora. Monopolista ele sempre foi.
ta bom
vc venceu mais nao me convenceu, como isso de comentar é da consepçao de cada um é melhor ficarmos por aqui mesmo pois se continurmos temos assunto pra noites e dias inteiros.
Claramente! Só pra finalizar: Hoje em dia, todo e qualquer produto faz parte da indústria cultural. Não há uma única produção músical, cinematográfica, literária e muitas outras, que não façam parte da indústria cultural.
hehehe
não é bem assim…
Fale mais sobre o assunto, Paulo. Só dizer que não é bem assim não ajuda muito. Suas idéias, assim como a de qualquer outra pessoa, serão sempre bem recebidas.
O Cinema, no mundo todo, já nasceu indústria, pow. Isso não se discute. O que se pode discutir é a qualidade desse produto. [2]
Não vai só do bom senso do cineasta, ele precisa comer também. Vai também do telespectador. Tu chega ali na Americanas, é nítido, gente com mais de trinta compra filme bom (apesar de haver pouca opção), de indústria asiática… americana… brasileira… os mais novos não querem nem saber, aliás… quem entre 14 e 30 anos tem o hábito de comprar filmes originais? Enfim, vai do mercado também definir o produto, é uma relação de compra e venda. Quando alguém me pergunta se eu gostei do filme, na maioria das vezes eu respondo: ah, é bom, mas eu não veria de novo.
E as aulas de Benevides só surtindo efeito dentro da cabeça do nosso autor…
Benevides e Ester, pow